Contam alguns tios meus que a primeira palavra que falei aos dez anos foi "- papai". Dizem que minha mãe ficou muito puta, "- fala mamãe, caralho!". Isso não importou muito, pois me acharam tão esquisito que me deixaram dentro de uma caixa de Leite Ninho em frente a um canil. Nunca liguei em pedir nada bem definido pra comer, quando pedi, foi um "cheeseburguer". Até hoje não sei qual o sabor dessa palavra. Mas o nome do pedido continua temperando minha mente. Ainda no meu nascimento, esses tios contam que o dia foi um acontecimento. Convidaram até um membro do corpo de bombeiros [não me pergunte por que!?!]. Quando passou a cabeça, minha mãe respirou aliviada, "graças a Deus, o resto tudo é corpo". Aos quinze anos tive meu primeiro contato com uma mulher, quer dizer, não foi bem algo que valha a pena lembrar. A mulher parecia um repolho, não conseguia manter os olhos em mim. Passou o tempo todo virando a cara, até que no final, levantou e ficou cuspindo um líquido, mas, sinceramente, nunca vi ninguém cuspir tanto assim. Jorrava da boca e fedia a azedo. Não sei explicar o que deu nela, mas, sei que ela gostou de mim e não cobrava minhas visitas. Quando resolveu cobrar eu não tinha aquilo que ela pedia: “me dá dinheiro?”. Nem sei do que se tratava. E como ela começou a arranhar e morder eu corri pra me livrar da mulher que me perseguiu por quase 20 quarteirões.
Fui levando a vida, sempre seguido de perto por uns caras que insistiam em fotografar diariamente. Ofereceram até dinheiro [vai entender essas pessoas], pra poder conviver comigo. Eles anotavam tudo. De mês em mês, tiravam meu sangue e olhavam meus dentes. Faziam também exames, digamos, mais íntimos, remexendo minhas fezes. Eu mal derrubava a massa e lá estava um cara vestido numa roupa branca com uma máscara estranha me empurrando e enchendo o potinho. Na verdade a cagada era um acontecimento extraordinário pra eles. Era tal de ligar, de anotar, de medir a grossura e a coloração e o cheiro. Só faltavam comer pra ver que gosto tinha. E naquele tempo meus dias iam assim: fotos, testes e exames fedorentos. Certa vez, passando em frente a uma banca de jornal, vi um foto minha numa capa com letras formando OVNIS. Até onde consegui ler, tinha: "Um extraterrestre vive entre nós". Nem procurei pensar no assunto. A palavra maior, "extraterrestre" me confundiu a cuca. Deixei pra lá. Lá pelos 30 anos uns lances esquisitos começaram a acontecer. Toda a vez que dormia, acordava todo melado e com um cheiro infernal de água sanitária empestando meu cafofo. Não entendia porque aquilo acontecia comigo. Nunca fiz mal a ninguém. E o mais chato é que tinha que andar por ai com aquela mancha grudenta por ai até a próxima chuva. A coisa piorou quando o problema começou acontecer de dia também. Era involuntário. Simplesmente ficava duro e aquele líquido saia. Terrível. Certa vez olhando umas meninas brincando no parque e lá o problema acontecendo de novo. Só sei que chegaram uns caras vestidos de preto, um deles levantou um porrete e acordei numa cela fedorenta. Gostei porque o cafofo fedia mais. Depois de me soltarem, eu melhorei quando voltei a me encontrar com a mulher repolho. Como fazia algum tempo que não a visitava, coisa de uns dez anos, achei que a mulher estava ainda mais enrugada. Foi complicado encaixar-me com ela, como fazíamos antes do dia do dinheiro. Só sei que certa vez estava na rua, juntando as moedas jogadas por passantes quando olhavam pra mim [nunca soube dizer por que isso acontecia], a mulher apareceu e disse: "estou grávida", no que prontamente eu respondi: "e eu com isso?". "- Vou ter um filho seu". Continuei sem entender. "Diabos homem, de onde foi que você saiu?". Levantei e fui andando, talvez depois daqueles gritos a tal voltasse a me pedir dinheiro de novo e eu só tinha pra pagar um cara que sempre me enchia de porrada se eu não desse as moedas que coletava do chão. A mulher continuou falando por 20 quadras que estava grávida, que teria um filho..., até foi ficando pra trás. Uns 12 meses depois eu encontrei a dita cuja, balançando um bolo de pano. Jurei que ela estava doente, ou louca por repetir tantas vezes aquele gesto. Quando percebi que ela tinha me visto, atravessei a rua, aproveitando pra despistar o cara que queria minhas moedas de novo. E os caras de branco que voltaram a me procurar. A mulher correu atrás de mim e o cara das moedas e os homens de branco com uma rede nas mãos. E ao longe ouviu algo que até hoje não sei dizer ao certo. Um uivo, um esturro, que vinha daquele bolo e pano. O gritinho fininho e parecia meu estômago com fome. Acho que era o filho que a mulher dizia que ser meu.
Pensei: “Bem que ele podia dizer papai”
Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008
Domingo, 19 de Outubro de 2008
Leitura Dinâmica
Todas as páginas estavam riscadas, o livro estava amarelado e, talvez, tivesse testemunhado a passagem do tempo nas mãos de seus leitores. Foi maltrado mas não reclamou. Livros reclamam a voz do autor. E o amor casual do leitor.
Pude ver de longe que as mãos trêmulas passavam as páginas, mas era nítido que elas já tinham sido lidas várias e várias vezes. Parou numa delas, de repente, começou a lagrimar. Fiquei sem jeito do outro lado da sala - meio desconcertado por testemunhar um momento quando alguém sintoniza finamente o jeito de outra pessoa pensar, ou, simplesmente, sente o que outro sequer sentiu. Uma dor de dublê. Um lapso do acaso. Um corte frio na pele quente.
Vi que a pessoa anotou algo no último espaço que restava. Limpou os olhos. E saiu da sala deixando-o.
Levantei correndo, meio sem entender aquilo que não pareceu exatamente um esquecimento. E sim um desquite. Quando cheguei vi que o livro estava aberto num capitulo com o titulo "dor". Sem desmarca a página, olhei com pressa e já me encaminhando até a porta para ver se a pessoa ainda estava por perto e percebi que os capitulos tinham titulos correlatos "medo", "angústia", "solidão" e por ultimo "descaso".
Na anotação deixada esta escrito, pude perceber em tinta ainda fresca: "agora ele é seu!"
Pude ver de longe que as mãos trêmulas passavam as páginas, mas era nítido que elas já tinham sido lidas várias e várias vezes. Parou numa delas, de repente, começou a lagrimar. Fiquei sem jeito do outro lado da sala - meio desconcertado por testemunhar um momento quando alguém sintoniza finamente o jeito de outra pessoa pensar, ou, simplesmente, sente o que outro sequer sentiu. Uma dor de dublê. Um lapso do acaso. Um corte frio na pele quente.
Vi que a pessoa anotou algo no último espaço que restava. Limpou os olhos. E saiu da sala deixando-o.
Levantei correndo, meio sem entender aquilo que não pareceu exatamente um esquecimento. E sim um desquite. Quando cheguei vi que o livro estava aberto num capitulo com o titulo "dor". Sem desmarca a página, olhei com pressa e já me encaminhando até a porta para ver se a pessoa ainda estava por perto e percebi que os capitulos tinham titulos correlatos "medo", "angústia", "solidão" e por ultimo "descaso".
Na anotação deixada esta escrito, pude perceber em tinta ainda fresca: "agora ele é seu!"
Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008
DE VOLTA AOS ÁUREOS TEMPOS DA DITADURA
Nessa democracia de merda, vozes são abafadas com calcinhas sujas e as manifestações patrióticas são emudecidas com peidos fedorentos. Dai que, a partir de hoje, iniciaremos uma série de receitas deliciosas para o deleite de todos que gostam e que não gostam da gente.
A primeira receita é a sádica tortinha de ricota com espinafre. Pura delícia de sabor.
Ingredientes:
- 1 maço de espinafre cozido e espremido- 500 gramas de ricota picada- 1 cebola picadinha- 1 colher (sobremesa) de farinha de trigo- 4 ovos grandes- 1/2 xícara de leite- 2 colheres (sopa) de maionese- 1 colher (sopa) de margarina- Sal, noz-moscada e queijo ralado a gosto
Modo de Preparo:
Bater no liquidificador os ovos, o leite, a margarina, a maionese, a farinha, a ricota e o sal aos poucos. Depois de batido, acrescentar o espinafre, a cebola, o queijo ralado e a noz-moscada. Levar ao forno numa forma refratária untada com margarina e farinha de rosca. Polvilhar queijo ralado por cima. Forno pré-aquecido, aproximadamente 45/50 minutos.
[Huuummmm!!!!]
A primeira receita é a sádica tortinha de ricota com espinafre. Pura delícia de sabor.
Ingredientes:
- 1 maço de espinafre cozido e espremido- 500 gramas de ricota picada- 1 cebola picadinha- 1 colher (sobremesa) de farinha de trigo- 4 ovos grandes- 1/2 xícara de leite- 2 colheres (sopa) de maionese- 1 colher (sopa) de margarina- Sal, noz-moscada e queijo ralado a gosto
Modo de Preparo:
Bater no liquidificador os ovos, o leite, a margarina, a maionese, a farinha, a ricota e o sal aos poucos. Depois de batido, acrescentar o espinafre, a cebola, o queijo ralado e a noz-moscada. Levar ao forno numa forma refratária untada com margarina e farinha de rosca. Polvilhar queijo ralado por cima. Forno pré-aquecido, aproximadamente 45/50 minutos.
[Huuummmm!!!!]
>>> CAMPANHA <<<
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Pelo bem da democracia e do seu bolso, ajude nesse ato cívico. Simbora, é nóis. É pau neles! [que é capaz de gostarem]
Pelo bem da democracia e do seu bolso, ajude nesse ato cívico. Simbora, é nóis. É pau neles! [que é capaz de gostarem]
Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008
-> N Ã O // L E I A <-
Para vc que não lê o TPh. Pra vc que nunca lerá esses textos de extremo mal gosto estético e acústico e molusculo. Pra vc que é arrumadinho, engraçadinho, interessantezinho. Pra vc que dormiu em frente a TV. Pra vc que jura que é diferente, pra frente, comovente. Pra vc que é dependente químico sem a química pra depender. Pra vc que é frustado, acabado, detonado. Pra vc que é chefe de escoteiros. Pra você que é meio feio, meio legal, meio normal. Pra vc que é analista de sistema. Pra vc que sempre sabe de tudo, do mundo, do nada. Pra vc que é vermelho, amarelo e roxo. Pra vc que é amante da liberdade vigiada, desconfiada, abestalhada. Pra vc que é motorista de ônibus, gari, assessorista. Pra vc que é normalísta de calcinhas vermelha fio dental. Pra vc que é egoísta extra-sensorial. Pra que é paroquial meio débil mental. Pra vc que morre por tudo, mas não nasce de novo ao ver um pôr-do-sol. Pra vc que é maquiavélico, estratégico, bélico. Pra vc que que tem um aspecto atélico, verérico, protético. Vc que é mal, banal, carnal. Pra vc que é marionete, títere, maria-vai-com-as-outras. Pra vc que filho-da-puta até o último cabelo do cu. Pra vc que torce pro Bangu, Itabubu, Itãnhu. Pra vc que é cego de um olho só. Pra vc que dá o fió, o bobó, o sem dó. Pra vc que é mulher meio homem e homem meio mulher. Pra vc que adora viajar deitado, calado, sonhado. Pra vc que é artísta, chauvinista, hittlerista. Pra vc que é manjado, cagado, peidado. Pra vc que é aviador. Pra vc que é puta. Pra vc que é bonito. Pra vc que é assistólico, bucólico, melancólico. Pra vc que curte rock, forró, afro. Pra quem curte a parada. Pra vc que vive parada, calada, burra. Pra vc que vive as turras. Pra vc que não gosta de mim nem de vós. Pra vc que vive aos nós com os bocós. Pra que não desiste, insiste, teima. Pra vc que queima, cheira, bebe. Pra vc que fede. Pra vc que mede, pede, sede. Pra vc que não teve infância. Pra vc que nem acredita. Pra vc que votou em Celso Pitta, Clodovil, Serafim. Pra vc que ainda não sabe ao certo o fim. Pra vc lembrar de um texto assim. Pra vc que gosta de tirar meleca na venta, atenta, menta. Pra vc que é magoado com os outros. Pra vc que é roto, arroto, nodoso. Pra vc que é violento. Pra vc que é louco. Pra vc que é de tudo um nada e de nada és um pouco.
Este texto que vc acabou de ler, era pra ser pra vc.
Este texto que vc acabou de ler, era pra ser pra vc.
Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008
::: Ameaças Fantasmas :::
Ligações anônimas. Bilhetes criptografados. Emails contaminados. A equipe do TPh denuncia as ameaças que vem recebendo diariamente. Acreditamos que deva ter sido por conta da receita de bolo de ricota com espinafre que ainda não postamos neste espaço onde a democracia impera, desde que a última palavra seja nossa.
Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
Palhaço Quiabo - Uma metáfora da política nacional.

Quem olha, pensa que o palhaço Quiabo, candidato a vereador pelo Amazonas, é apenas um. Mas, não. É um em um milhão de políticos brasileiros. A diferença é que ele veste a fantasia de palhaço e vai pedir seus votos nas ruas. Os outros pedem sem fantasia. Mas a palhaçada é a mesma. A dança é a mesma no grande picadeiro nacional.
O palhaço Quiabo então é o espelho desses que estão ai há tanto tempo brincando com o dinheiro público e fazendo piada da nossa desgraça [vide o rodapé do santinho]. Desses que estão ai fazendo suas piruetas e dando cambalhotas para obliterar o erário. Pobre cidadão, o verdadeiro palhaço.
E a grande piada é: quem era pra fazer rir, é quem ri da nossa cara.
[Quá,quá,quá...]
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